A questão do corpo feminino e body shame não é de hoje, né?! Inclusive rende assunto pra um próximo texto já que o verão está chegando e não sei vocês, mas eu estou sendo bombardeadas nas redes sociais por fotos e publicidade de modelos com corpos surreais, praias paradisíacas enquanto só chove e eu vejo Netflix comendo um miojo. Pois é…

Mas nesse texto, vamos falar de outra coisa que INCOMODOU o povo. Será que poderia ser considerado “Sex Shame”?

Se você frequentou o Twitter no último mês ou algum outro tipo de canal que circula notícias do mundo dos famosos se deparou com isso aqui.

Recentemente algumas atrizes comentaram publicamente sobre a falta de tesão pós-parto. Fui pesquisar mais sobre isto já que não sou mãe. Percebi que quem dita o período de resguardo são os médicos, como se fosse receita de remédio. “Olha minha senhora, você acabou de tirar um ser humano de dentro de você e agora é só esperar X dias que tá prontinha pra ser penetrada.” GENTE! Uma pessoa aleatória te indicando quando você vai transar. Oi?! E isso não é de hoje, né? Imagina lá o maridão marcando o fim do resguardo num calendário?! Socorro!

Isso me lembra aquelas fotos de família antigas que as crianças ficavam uma do ladinho da outra formando uma escadinha. Então, no auge da minha insônia, um dia desses comecei a me questionar se essas mulheres (nossas avós, bisavós) faziam sexo por livre e espontânea vontade e tesão produzindo crianças numa escala quase industrial, formando as escadinhas – já que não tinham acesso a métodos contraceptivos; OU se realizavam o ato movidas por pressões culturais que podem ter diversas raízes sendo as mais comuns:

  • “Segurar marido”
  • “Obediência/dever social de procriar”
  • Vergonha de dizer não
  • Abuso: físico e/ou psicológico.

Pesado.

Devaneios à parte, gostaria de voltar ao caso das atrizes. A famosa Sex Symbol Sabrina Sato e a humorista Tatá Werneck afirmaram que elas e seus respectivos parceiros não estão sexualmente ativos. Porém, ambas manifestam estar vivendo uma fase ótima de companheirismo, sendo, nas palavras de Sato, que o que era um casal hoje tornou-se uma “potência”. Achei incrível mulheres com tanta visibilidade – e que habita o imaginário de tantos héteros – se abrindo sobre sua falta de tesão.

Nisso, Sabrina recebeu VÁRIOS comentários e até algumas Fake News foram geradas anunciando o FIM de sua união. Pois é. Ela, então, justificou pra acalmar os ânimos de muitas mulheres ensandecidas com a vida sexual alheia que “O RELACIONAMENTO VAI BEM, OBRIGADA”.

Fiquei pensando: sério que PRA MUITA GENTE EM PLENO 2019 relacionamentos se resumem a sexo? E depois fui pensar que se de acordo com as estatísticas as mulheres possuem menos orgasmos em relacionamentos heterossexuais: “sério que relacionamento se resume a dar prazer ao homem?” – FICA A REFLEXÃO.

Como mulher branca, cis e hétero esses são questionamentos que me tiram o sono por ser algo com o que eu pudesse de certa forma me identificar – mesmo não sendo mãe nem nunca ter parido. É que consigo lembrar de situações pessoais e de amigas nas quais todas contaram estar morrendo de preguiça de transar e o parceiro ali, “animadão”.  E daí, na minha roda, chegamos à conclusão de que obviamente dizemos “NÃO”, mas ainda concordamos que tem aquelas vezes que você acaba cedendo, afinal, você gosta dele e meio que “não tava fazendo nada mesmo”…

Às vezes pode até ser bom para os dois e pronto. Mas sexo não devia ser obrigação ou forma de agradar, né? Percebo que sexo é vontade, vontade de dois (ou mais, não sei).

Depois pensei pelo outro lado: a pressão social que o cara tem de estar SEMPRE disposto a transar e como isso pode mexer com a autoestima dos dois lados de uma relação – assunto pra outro texto.

Bom. Toda a lógica desse raciocínio que tive no meio de uma madrugada aleatória foi pra dizer como não aproveitamos as outras MILHARES DE FORMAS DE PRAZER que nosso corpo é capaz de nos dar. Ou às vezes até aproveitamos, de forma solitária sem compartilhar com o outro. Deixando o parceiro numa completa cegueira de como seu corpo fantástico funciona.

Pensei logo em algo que a Lili sempre fala quando apresenta os vibradores e que eu sinceramente não levava muito a sério até travar o pescoço e ver que o negócio funciona: vibrador pra MASSAGEM.

É íntimo, é delícia e sai da mesmice. Além disso tem óleo, tem vela, tem mais um monte de coisa que eu nem sei!

E falando sério. Olha que legal desmistificar que vibradores só tem uma função. Ou que relacionamentos só possuem UMA via de manutenção. Ou pensar que TÁ TUDO BEM SE EU ACABEI DE PARIR E NÃO QUERO QUE ME ENCOSTE, MAS TE AMO.

Por isso a proposta é desmistificar tabus e estimular o autoconhecimento. Não só sobre seu clitóris – apesar de ser importantíssimo – mas também de outras formas que você e seu corpitcho super único conseguem sentir prazer, relaxamento, bem-estar… seja sozinha, seja com o maridão que tá ali do lado trocando fralda, seja com um amigo colorido, namorado, boy, crush, whatever…mas do seu jeito, sem precisar contar orgasmos e nem se comparar com ninguém.

 

Fernanda Coutinho, 26 anos, Escritora e Artista

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